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Uma árvore de mini discos voadores?

Atualizado: 31 de jan. de 2022

Há que diga que já ouviu falar dessa fruta curtida na cachaça. E isso é verdade. Por fazer parte de um contexto histórico, o produto mais conhecido do fruto é a cachaça de cambuci. Mas nos últimos anos, os estudos científicos avançam e a descoberta da sua versatilidade de sabor tem conquistado admiradores de uma nova maneira. Através de pratos saborosos e ricos em compostos benéficos a nossa saúde.


Endêmica da Mata Atlântica, ou seja, único lugar onde é encontrado naturalmente, a espécie Campomanesia phaea (Cambuci) é uma árvore nativa da região da Floresta Ombrófila Densa e pode chegar até a dez metros de altura.


Seus frutos de cor verde, que mudam de tonalidade quando amadurecem, apresentam um sabor levemente ácido e adocicado. Seu formato assemelha aos potes de água dos índios e esse é o motivo do seu nome, cambuci significa pote em tupi-guarani. Hoje, muitos associam seu formato a pequenos discos-voadores, tecnicamente chamados de formato discoide (ovoide-romboidal). Sua safra vai de fevereiro a março podendo se estender até abril ou maio dependendo das condições ambientais do local onde se encontram.



Na região da Serra do Mar no estado de São Paulo o fruto é encontrado em quintais, feiras livres, mercados municipais ou até mesmo em restaurantes. Nesses locais, há uma infinidade de produtos elaborados com o fruto que se destacam pelo sabor único, mas também, por suas características nutracêuticas e funcionais. Já que é um alimento rico em ácido ascórbico (Vitamina C) e compostos fenólicos (compostos bioativos) que com sua ação antioxidante contribui para diversos benefícios a saúde.


A vocação alimentícia do fruto é o principal uso da planta atualmente, mas estudos apontam que a espécie possui outros potenciais como aromáticos e medicinais. Existe nos frutos do cambuci substâncias como o linalol que possui diversas implicações biológicas, tais como: hipotérmicas, bradicárdicas e sedativas, além de ações bactericidas e fungicidas. Já na perfumaria, o linalol é considerado uma das substâncias mais importantes na indústria de cosméticos. Ele vem sendo utilizado como fixador de fragrâncias e em perfumes mais refinados o usado é àquele proveniente de recursos naturais, como o das plantas. (LEÃO, 2012; CAMARGO E VASCONCELLOS, 2014).


A produção de frutos é o principal foco na silvicultura do cambuci. O incentivo a comercialização dele iniciou-se em 2004 na Vila de Paranapiacaba (Santo André) onde um grupo pequeno, de agricultores e comerciantes, organizou a primeira festa do cambuci. Logo depois, diversos municípios vizinhos aderiram à ideia e, hoje, incentivam a produção e utilização dos frutos nos festivais da Rota Gastronômica do Cambuci. A rota é realizada nas cidades onde o fruto é nativo e tem produtores que o cultivam. O propósito dessa mobilização social, criada pelos agricultores familiares e parceiros, é resgatar e fomentar o cultivo do fruto, respeitar e valorizar a identidade e a biodiversidade local, por meio de ações integradas de gastronomia, turismo, manejo e economia, educação e cultura (INSTITUTO AUA, 2017).


Os frutos de cambuci foi o protagonista nos pratos da Natural da Mata. A proposta foi de utilizá-los para resgatar costumes antigos e valorizar essa espécie planta presente nos quintais de casa mais tradicionais e nos sítios no distrito de Taiaçupeba, em Mogi das Cruzes (https://www.instagram.com/natural.mata/).

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